Parte 1  >>  Comunicação visual

As artes gráficas já operavam como discurso desde os primeiros impressos, ao exemplo da Bíblia de Gutenberg[1], cujas páginas foram cuidadosamente diagramadas e ilustradas. Com os avanços das técnicas de impressão, as letras foram recebendo melhores acabamentos, enquanto o design gráfico começava a influenciar o conteúdo.

Atualmente, o ritmo de vida acelerado transformou a linguagem visual numa necessidade, pois agiliza a troca de informações. Os apelos visuais estão por toda parte, seja na arte, na arquitetura, no design, na publicidade e também no jornalismo, pois procura transmitir informações o mais rápido quanto possível:

“O jornal impresso transforma-se em nossa época em um festival de signos e ícones, buscando atrair e estimular a atenção dos consumidores” (MARSHALL, 2003, p. 49).

Vivemos hoje na Era da comunicação visual, que já obrigou grandes jornais brasileiros - como O Globo e Folha de S. Paulo - a construírem novos parques gráficos para acompanharem as tecnologias internacionais. Desta forma, os novos jornalistas precisam aperfeiçoar (até mesmo adquirir) seus conhecimentos em artes gráficas, para poder lidar com um publico leitor cada vez mais apressado.

Entrevistado por Ruth Vianna em seu livro-reportagem “Informatização da Imprensa brasileira” (VIANNA, 1992), o engenheiro e diretor industrial da Folha de São Paulo, Pedro Pinciroli Jr, resumiu em poucas palavras a importância que o apelo visual passou a receber nas publicações impressas:

“Esse uso crescente de gráficos tem uma explicação lógica: leitores do mundo inteiro têm o tempo cada vez mais curto. Todo leitor é impaciente e quer diminuir o tempo que ele emprega na leitura. Então, para diminuir esta impaciência, nós temos de dar informação visual, complementando a escrita. Não podemos nos esquecer que estamos na geração que nasceu vendo televisão” (PINCIROLI JR Apud VIANNA, 1992, p. 38).

As imagens passaram então a substituir extensos relatórios e tabelas por gráficos de fácil interpretação, fornecendo instrumentos eficazes que permitem aos jornalistas publicarem mais informações e – conseqüentemente – de melhor qualidade, pois também serão compreendidas pelos leitores menos instruídos.

João Rodolfo do Prado (Apud SILVA, 1985) afirma que uma publicação não precisa ser necessariamente lida para ser compreendida, pois todo texto possui uma leitura gráfica e outra textual. Para ele, o leitor está tão adaptado à rígida sucessão de títulos, aberturas e textos que deixa passar despercebido todo o planejamento gráfico. Disso, conclui-se que a comunicação visual é necessariamente subliminar, sendo preciso conscientizar os jornalistas de sua importância e seu poder de manipulação.

Notas:

[1] A Bíblia de Gutenberg foi o primeiro livro impresso da Europa, com tiragem de 200 cópias, que hoje são raridades de valor é inestimável (só restam 49, das quais apenas 21 estão completas). A obra foi digitalizada integralmente e está disponível no website da Universidade do Texas em Austin: http://www.hrc.utexas.edu/exhibitions/permanent/gutenberg/ (10/07/04).

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