Parte 1  >>  Adesão ao jornalismo de revista

Diante das perdas tanto de leitores quanto de anunciantes, o jornal impresso precisa passar por várias transformações para garantir sua sobrevivência. Uma delas - e talvez a mais importante - é a utilização de certas características do jornalismo de revista, publicação esta que obteve sucesso mesmo com a ausência dos cobiçados “furos” jornalísticos, apresentando detalhes inéditos de fatos que já foram cobertos pelas novas mídias.

“A tendência do jornalismo moderno é absorver as novas tecnologias para melhor apresentar o seu produto ao consumidor. A cada dia o jornal impresso adquire a personalidade morfológica da revista, utilizando modernas técnicas de impressão, estilos requintados de padronização visual e variado layout” (SILVA, 1985, p. 44).

As revistas são publicações segmentadas, destinadas a públicos específicos cujas características influenciam no conteúdo e no design. Sua maior vantagem é oferecer mais recursos gráficos do que o jornal, além de utilizar papéis de melhor qualidade visual e tintas que não sujam as mãos dos leitores.

A diagramação das revistas deve oferecer ao leitor um produto visualmente agradável que lhe desperte o interesse de compra. Os elementos gráficos de suas capas devem ser o mais persuasivos possíveis, pois os exemplares ficam expostos por mais tempo nas bancas e são muito mais caros que os jornais diários.

Fundamentalmente, a revista mistura jornalismo e entretenimento. Sua escrita pode ser estética e literária, fugindo da linguagem referencial dos jornais. Por isso, acaba se tornando um complemento na educação, uma fonte alternativa de cultura que não se esgota ao distanciamento dos fatos e podem permanecer interessantes por muito mais tempo que o jornal – temos como exemplo os montes de revistas em residências e consultórios, que continuam sendo lidas mesmo anos após serem adquiridas.

Muitas vezes as revistas abordam temas comerciais sem necessariamente comprometer sua integridade editorial. O fato é que muitos leitores se interessam também pelos anúncios publicitários, pois estes o ajudam a fazer suas opções de consumo numa sociedade movida pelo capital.

“Revistas, na verdade, podem ser chamadas de “supermercados culturais”. Elas refletem a cultura dos lugares, o estilo de vida, e, numa sociedade consumistas como a em que vivemos, não é de se estranhar que, apesar da crise econômica, as revistas que incentivam a febre pelas compras estejam em alta e representem uma tendência significativa do mercado editorial” (SCALZO, 2003, p. 44-45).

"(...) pesquisas têm espantado até os diretores de jornais ao revelarem que os olhos erráticos dos leitores (...) se deliciam por igual com os anúncios e os textos noticiosos" (MCLUHAN Apud MARSHALL, 2003, p. 110).

Por atender a um público especifico, ela pode aprofundar determinados assuntos, focalizando temas e notícias para dar ao leitor fatos com continuidade, que muitas vezes são esquecidos pelos jornais que dão preferência as ocorrências mais bombásticas. Sua interatividade com o leitor é também um exemplo a ser seguido pelos jornais.

Toda revista reserva o seu “espaço do leitor”, onde este pode gerar discussões sobre determinados temas que foram abordados em edições passadas, sugerir pautas, elogiar ou criticar jornalistas e a própria publicação. É neste contato com o público que a redação pode se auto-avaliar e planejar as edições futuras, construindo aos poucos uma relação de fidelidade com o leitor, que será convertida em credibilidade e preferência pela publicação.

Por distanciar-se das notícias em tempo real – que só são possíveis nas mídias eletrônicas e digitais, a revista consegue fugir da superficialidade da rotina, apurando os fatos com maior prazo de fechamento, adicionando detalhes que enriquecem a informação e que não são possíveis na correria diária pelo “furo”. Isto também permite oferecer um layout mais arrojado, trabalhar as informações visualmente com infográficos chamativos e compreensíveis.

O leitor de revistas espera receber informações de forma prazerosa, não maçante como na maioria dos jornais. Eles geralmente já sabem as últimas notícias pelas novas mídias, mas querem também compreendê-las, procurando matérias, reportagens e artigos que mostrem como tudo aconteceu - e porque aconteceu.

Exatamente como as pessoas adoram saber a opinião dos amigos, elas querem saber a opinião dos jornalistas, profissionais que lidam com a informação e possuem ampla visão de mundo. Por isso, o texto opinativo tem ganhado cada vez mais espaço nas publicações, pois além de interpretar os fatos, humanizam a informação e dão credibilidade aos textos que trazem a assinatura do autor.

Com isso, podemos concluir que o jornal diário, apesar de possuir fechamento mais curto e linguagem referencial, pode aos poucos aderir ao jornalismo de revista para poder competir com os jornais em tempo real. Sua vantagem específica é que pode trabalhar o fato no dia seguinte em que ocorreu, enquanto a revista circula com maior espaço de tempo. Isto permite que o diário seja um meio-termo entre o jornal em tempo real e a revista.

“O jornal hoje é muito mais entretenimento do que era e ele vai cada vez mais ser um veículo de análise e entretenimento. O que valerá cada vez mais será a análise completa dos fatos; a opinião do colunista. Um jornal de conteúdo mais elaborado, mais perene, que com o tempo carrega a credibilidade do jornal. Na internet, o conteúdo vai ser mais descartável, mais simples. Não adianta, o jornal é até mais portátil e possui uma série de características que a internet não substitui. Talvez com a internet móvel isso mude um pouco. Mas eu acho que cada um tem seu espaço” (GORON Apud RAMOS, 2004).

  


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