Parte 2  >>  Desenvolvimento histórico dos jornais on-line

A internet é uma imensa rede de computadores interconectados através de linhas telefônicas, satélites e outros sistemas de telecomunicações. Esta imensa rede abrange diversas sub-redes que, em primeiro nível, são institucionais, administrando os acessos nacionais e regionais, e em segundo nível, são particulares, provendo acesso direto aos usuários, seja pago ou gratuito.

Seu surgimento data de 1969, quando os Estados Unidos lançou um programa chamado “Grande Sociedade”, tendo como parte de suas propostas o projeto de interconectar os municípios através da linha telefônica.

No mesmo período, os altos custos dos computadores obrigaram os pesquisadores da ARPA (Advanced Research Projects Agency) a trabalharem com equipamentos localizados em diferentes regiões. Desenvolveram então o projeto Arpanet (Advanced Research Projects Agency Network), formando uma rede entre universidades e unidades militares, mas com somente quatro servidores.

A Arpanet mostrou-se um excelente instrumento para troca de documentos militares e governamentais, além de evitar que tais informações se concentrassem em um único local, protegendo-as em caso de ataques nucleares.

Isto a fez expandir-se rapidamente até atingir 23 servidores, obrigando a reestruturação do projeto inicial em 1972. A ARPA passou então a ser administrada pelo Ministério da Defesa dos Estados Unidos, sendo renomeada para DARPA (The Defense Advanced Research Projects Agency).

Sua expansão continuou até 1983, quando a rede havia se tornado grande demais para garantir a segurança das informações militares, sendo necessário fundar uma rede especial, a Milnet (Militar Network). A partir de então foram criadas várias redes particulares para cientistas e civis, que em pouco tempo se juntaram para formar a Arpa-internet - futuramente denominada somente internet (a partir 1990) - abrangendo inicialmente 250 mil servidores e 1.500 sub-redes (PINHO, 2003).

“O termo internet foi cunhado com base na expressão inglesa INTERaction or INTERconnection between computer NETworks [grifo do autor]. Assim, a internet é a rede das redes, o conjunto das centenas de redes de computadores conectados em diversos países dos seis continentes para compartilhar a informação e, em situações especiais, também recursos computacionais” (PINHO, 2003, p. 41).

Em 1991 houve a suspensão pela NSF (National Science Fondation) da proibição ao uso comercial da rede, abrindo caminho para o comércio eletrônico. Assim, os empreendimentos on-line atraíram muitos investidores rapidamente, dando início ao vasto império dos sites “.com” (PINHO, 2003).

No Brasil, a rede foi estabelecida em 1989 para uso científico, sob iniciativa do MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) que desenvolveu a RNP (Rede Nacional de Pesquisa). Mas somente em 1995 a internet foi aberta ao setor privado, visando à exploração comercial por parte dos primeiros provedores de acesso discado. A RNP deixou então de ser um backbone[1] restrito ao meio acadêmico para permitir o acesso público à rede.

A World Wide web foi criada por volta de 1990[2] pelo engenheiro britânico Tim Berners-Lee, no CERN (Center for European Particle Research) em Genebra, Suíça, permitindo a qualquer usuário disponibilizar e compartilhar grandes volumes de informações em inúmeras páginas. Em seguida, no ano de 1992, o NSCA (National Center for Supercomputing Applications) começou a desenvolver os browsers - navegadores.

O primeiro browser recebeu o nome de Mosaic e foi desenvolvido por Marc Andreesen em 1993. Apesar de não ser a primeira tentativa do gênero, o Mosaic foi pioneiro ao estabelecer uma interface gráfica que tornou a internet acessível para os usuários comuns. Em 1994, Andreesen fundou a Mosaic Communications, futuramente renomeada para Netscape Communications, uma das maiores empresas de comunicação digital dos anos 90.

Neste mesmo período, 1994, a web se torna o segundo serviço mais popular da internet, perdendo somente para o e-mail. Os sites comerciais e pessoais multiplicam-se e começam a surgir os primeiros mecanismos de busca. Em 1996, já existiam 56 milhões de usuários no mundo, conforme PINHO (2003).

Atualmente, a web é o recurso mais utilizado da internet, sendo praticamente um sinônimo da mesma, permitindo o acesso às informações em qualquer lugar, a qualquer momento. Até mesmo o e-mail se tornou parte da web, através dos webmails que são contas de e-mail acessadas por sites e não mais por programas, o que permite o envio e recebimento de mensagens em qualquer computador, requisitando somente a senha do usuário.

Como meio de comunicação, a internet se tornou uma das principais apostas das empresas comerciais que agora podem estabelecer contato direto com os consumidores e disponibilizar informações sobre seus produtos 24 horas por dia, sete dias por semana, nas páginas de seus sites.

A rede tornou-se um importante meio com capacidade para difusão massiva e instantânea de informação. A partir dos recursos multimídia disponíveis, contamos com novas possibilidades de comunicação. Para o jornalismo, foi um grande salto, pois as notícias podem ser publicadas em tempo real, alteradas a qualquer momento e disponibilizadas todo o tempo. A internet estabeleceu um novo conceito de mídia, desmassificado, cujo enorme público não possui comportamento determinado e pode criar sua própria programação.

“Um jornal virtual é a expressão máxima da realidade. Paradoxal, mas verdadeiro. Não se encerra, está sempre em movimento, é a cores, tem imagens, é global e instantâneo. É a vida real. Não tem horas fixas, matérias pré-destinadas, páginas fechadas” (DELGADO Apud FERRARI, 2003, p. 46).

“A internet chegou para ficar. Não é uma moda passageira e não haverá retrocesso. Jamais os usuários de e-mail voltarão a escrever cartas e deslocar-se até o correio para postá-las” (FERRARI, 2003, p. 21).

As primeiras experiências de jornalismo on-line ocorreram nos Estados Unidos, ao exemplo do The New York Times, que, em 1970, criou um banco de dados com o conteúdo mais importante de suas edições impressas. Em 1993, cerca de 20 jornais norte-americanos já estavam on-line.

A partir de então, várias empresas fizeram experiências em divulgação de notícias via internet, mas foi somente em 1995 que o seu verdadeiro potencial veio à tona, devido ao atentado de Oklahoma, que resultou na morte de 168 pessoas. Foram incluídos na rede comunicados da Casa Branca, fotos dos estragos, lista de vítimas e reportagens atualizadas sobre o desastre (MOHERDAUI, 2000).

Isto foi um grande impulso para o jornalismo on-line, permitindo que pessoas do mundo todo, inclusive jornalistas, acompanhassem as declarações oficiais sobre o atentado e suas conseqüências através da rede, obtendo as informações imediatamente ao invés de esperar pela TV, rádio ou o jornal impresso do dia seguinte.

Porém, os conteúdos disponibilizados ainda eram totalmente reaproveitados dos meios tradicionais, o que pode ser considerado um desperdício dos diversos recursos que a internet oferece. O primeiro jornal verdadeiramente on-line foi o Personal Journal, versão digital do The Wall Street Journal, lançado em 1995 e entendido como o "primeiro jornal de um exemplar" (MOHERDAUI, 2000). A web começou então a moldar produtos editoriais interativos com qualidades convidativas: custo zero, grande abrangência de temas e personalização.

A primeira iniciativa brasileira partiu do O Estado de São Paulo, que, ainda em 1995, colocou a Agência Estado na internet. Em seguida, no mesmo ano, vieram o Jornal do Brasil, a Folha de São Paulo, O Globo, O Estado de Minas, Zero Hora, Diário de Pernambuco e Diário do Nordeste (MOHERDAUI, 2000).

Em 1999 ocorre a primeira cobertura on-line internacional, sobre a guerra do Kosovo, que chegou a ser apelidada de “a guerra da internet”, conforme Moherdaui (2000). O Portal UOL (Universo Online) também publicou vários relatos de pessoas que estavam próximas às áreas de conflito, cujo maior destaque foi a matéria especial do jornalista Waltes Faceta Júnior.

Durante a cobertura da queda do Concorde, em Paris, 2001, os jornais on-line brasileiros divulgaram imediatamente uma cobertura extensiva, com muitas fotos e mapas - até mesmo imagens do avião em queda - fazendo com que praticamente nada fosse adicionado pelos jornais impressos do dia seguinte (MOHERDAUI, 2000).

Neste mesmo ano, 2001, o jornalismo on-line começou a se consolidar no Brasil. Em pouco tempo, se tornou um grande concorrente para os veículos tradicionais, tendo um aumento de 184% na audiência em relação a setembro de 2000, segundo levantamento do instituto Ibope eRatings (MOHERDAUI, 2000), o que significa que a audiência dos jornais on-line brasileiros cresceu mais que o tráfego na internet daquele período.

Desde então, o jornalismo on-line se tornou uma importante fonte de informação, oferecendo os mais variados conteúdos jornalísticos em diversos sites, sejam de publicações impressas que procuram reforçar suas marcas na internet, sejam os jornais em tempo real com redações próprias ou até mesmo sites de jornalismo especializado, sites das agências de notícias, portais, sites institucionais ou comerciais.

O Portal UOL, por exemplo, além de ser um dos pioneiros, é um dos melhores jornais on-line do Brasil, contando com o conteúdo editorial de diversas empresas de comunicação - incluindo a Editora Abril e a Folha de São Paulo. Foi fundado em 1996, inicialmente enfrentando problemas técnicos e financeiros, trabalhando com uma equipe de apenas 20 pessoas em uma sala no prédio da Folha. Atualmente, emprega cerca de mil profissionais e possui um prédio próprio.

Notas:

[1] Infra-estrutura que conecta todos os pontos de uma rede.

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[2] As fontes são divergentes sobre este fato. Foram três as datas encontradas sobre o nascimento da web: 1989, 1990 e 1991.

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