Parte 1  >>  Processo de informatização

Desde a criação dos primeiros cursos de Jornalismo ao final da década de 1960, a estrutura curricular oferecida passou por constantes atualizações. Isto porque, a profissão jornalística se transforma proporcionalmente ao desenvolvimento tecnológico e informático.

Fornecer notícias implica em rapidez e agilidade, utilizando as mais recentes tecnologias para fazê-lo no menor tempo possível. Em busca de eficácia, as redações atuais possuem bancos de dados informatizados, computadores, scanners, impressoras de ultima geração e todo tipo de aparato jornalístico, visando sempre superar as publicações concorrentes na busca pelas notícias.

Neste contexto, os profissionais necessitam cada vez mais de habilidades especificas - sejam em comunicação ou informática - para tirar maior proveito de si mesmos. O que nem sempre agrada aos jornalistas, que muitas vezes se opõem às exigências do mercado por não desejarem se tornar apenas engrenagens do sistema mercantil através da especialização profissional:

“Os jornalistas alegaram haver ainda muitas restrições quanto à profissão e ao trabalho desenvolvido, pois o jornal tornou-se um produto de consumo como qualquer outro do mercado” (VIANNA, 1992, p. 132).

Entretanto, o processo de informatização foi inevitável, decorrendo do desejo dos proprietários pela otimização na preparação e distribuição do periódico, redução no tempo de fechamento, ampliação da circulação e criação de novos cadernos, além da conseqüente especialização profissional e redução de seus funcionários, o que resultou em uma grande economia, conforme Vianna (1992).

Em 1984, a Folha de S. Paulo dispensou cerca de 100 revisores declarando extintos tais postos de trabalho. A partir de 1986, implantou mainframes[1] que processavam os textos eletronicamente, substituindo por completo a função dos datilógrafos e revisores (PEREIRA, 10/07/04).

"Antes da chegada dos terminais de vídeo nas redações, a Folha contava com cem datilógrafas, dois engenheiros eletrônicos, quatro técnicos, 95 pestapistas, 56 fotocompositores e 102 revisores. Com o uso efetivo dos terminais de vídeo, a revisão foi extinta por completo, e as datilógrafas transferidas para a digitação. O próximo setor a desaparecer seria o de arte-final" (VIANNA, 1992, p. 32).

Os jornalistas precisaram se adaptar para poder competir no novo mercado de trabalho ditado pela informatização. Em 1988, a Folha de S. Paulo lançou um curso de jornalismo para suprir as falhas tecnológicas das universidades da época e preparar seus futuros empregados (KREINZ, 10/07/04).

Numa atitude de pioneirismo e disposição econômica, a Folha de S. Paulo apostou na informatização e qualificação profissional para superar seus concorrentes, como afirma o engenheiro e diretor industrial Pedro Pinciroli Jr:

"A informatização deveu-se, em primeiro lugar, a uma atitude de pioneirismo com relação à tecnologia, uma característica marcante da Folha. Sempre que uma nova tecnologia é lançada no mercado, e isso ocorre desde 1962, o jornal tenta implantá-la no País, antes que outros o façam. Em segundo lugar, porque tornava o jornal mais viável (do ponto de vista econômico), racionalizando tempo e agilizando a informação" (PINCIROLI JR Apud VIANNA, 1992, p. 32).

Depois do grande salto dado pela Folha de S. Paulo, informatizando toda sua redação, todos os jornais brasileiros começaram sua busca pelas novas tecnologias que os permitissem competir em condições de igualdade. Para Mário de Paulo Gusmão, proprietário do jornal NH, de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, a informatização ocorreu por diferentes motivos em cada setor do periódico:

“Na área da redação, para modernizar o sistema de composição dos textos, na área administrativa, para agilizar o sistema de informações; e na área de circulação, para permitir eficiência nos registros de cobranças de assinaturas e listagem de entrega dos jornais” (GUSMÃO Apud VIANNA, 1992, p. 104-105).

Atentos para a questão econômica, os jornais brasileiros buscaram na informatização uma maneira de evitar a falência, possibilidade enfrentada pelos periódicos desde o surgimento do rádio e da televisão. As publicações precisavam diminuir os custos de produção (principalmente em mão-de-obra) e oferecer um serviço atual que fosse valorizado no mercado.

Assim, as décadas de 1970-80 foram marcadas por grandes mudanças na produção jornalística brasileira. Até então, eram utilizados maquinários antiquados, o processo jornalístico era lento e os gastos com os salários da enorme equipe se tornavam inviáveis à medida que a televisão e rádio diminuíam a importância dos impressos, segundo Vianna (1992).

Desde o inicio, a informatização provocou medo de demissões em massa e acumulo de tarefas nas redações, o que realmente ocorreu, chegando a serem extintos vários dos antigos departamentos como montagem e foto-mecânica. Hoje, todo o material jornalístico é produzido pela redação, que é responsável pela noticia desde a pauta ao fechamento.

Após a convivência e o devido treinamento com os computadores, os antigos jornalistas deixaram de lado os temores e passaram a aceitar suas novas ferramentas de trabalho, que continuam a depender do conhecimento humano em qualquer área profissional:

“(...) a qualidade da informação não muda apenas pelo uso de um sistema de terminais de computadores. Ela continua dependendo do jornalista, do profissional que está por trás ou da máquina de escrever ou de um terminal de vídeo” (VIANNA, 1992, p. 95).

O computador simplesmente agilizou a produção jornalística, permitindo que os textos sejam modificados a qualquer momento, mesmo que minutos antes da impressão. Sua capacidade de armazenar dados é imensa, a correção dos textos é fácil e instantânea, otimizando a eficiência das editorias e oferecendo ao jornalista mais tempo para buscar e apurar informações.

Os cálculos necessários para diagramar as páginas também foram eliminados, facilitando a programação visual das publicações:

“Ao iniciar seu trabalho, o diagramador já sabe, com precisão matemática fornecida pelo terminal, as dimensões que o texto terá quando composto (largura e altura), sem fazer qualquer cálculo, não correndo o risco de “estourar” o texto, quer dizer, criar algo maior que o espaço disponível na página, o que geralmente é o maior problema enfrentado pelos secretários de “oficina” e um dos fatores de atraso da edição” (FREJAT Apud VIANNA, 1992, p. 79).

Assim, a informatização dos jornais proporcionou aos profissionais maior liberdade de expressão e criatividade, pois eliminou processos antiquados que limitavam as artes gráficas. As publicações agora utilizam fortes apelos visuais para atrair o leitor e oferecer um produto de qualidade.

Notas:

[1] Computadores de grande porte - caros, poderosos e eficientes, utilizados apenas em grandes corporações.

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