Parte 1  >>  Vendas e anúncios em queda

As mudanças ocorridas no jornalismo moderno não foram somente visuais, mas também ideológicas. A informatização das redações não significou necessariamente maior renda para as editorias, pois o mercado jornalístico se tornou instável e extremamente competitivo, obrigando os profissionais a se especializarem para valorizarem suas funções.

A televisão, o rádio e a internet submeteram a mídia impressa a novas regras, algumas benéficas e outras não. Se por um lado, as editorias passaram a se segmentar para atender um publico específico e procurar agradá-lo, por outro, foi obrigada a cortar pessoal, diminuir salários, distorcer informações e depender das verbas publicitárias.

"A diminuição das receitas com publicidade tem forçado uma remodelação em todo o setor editorial. Um grande número de revistas e jornais, incluindo alguns dos melhores e mais respeitados, desapareceu por completo. Muitas das publicações sobreviventes têm-se voltado para fusões e aquisições para aliviar suas dificuldades financeiras. Essas aquisições são geralmente levadas a cabo por corporações da grande mídia, com o objetivo de incorporar uma grande quantidade de material já publicado em operações multimídia que muitas vezes incluem recursos de televisão, cinema e de TV a cabo, bem como tecnologias mais recentes em informática" (DIZARD JR, 2000, p. 226 - 227).

Os "furos" jornalísticos nos impressos se tornaram utópicos, já que podem ser antecipados em até 24 horas pelas novas mídias, que são, atualmente, a fonte primária de informação da maioria da população. Em muitos casos, as pessoas se recusam a pagar por informações que podem receber gratuitamente de outras mídias.

Os jornais diários perderam com isso grande parte do prestígio do inicio do século XX - a chamada Belle Époque. Hoje, estão cada vez mais parecidos com os concorrentes, tratando dos mesmos assuntos e compartilhando as mesmas fontes de informações. Conseqüentemente, estão vendendo cada vez menos:

"A Associação Americana de Jornais entrevistou 4.003 adultos com mais de 18 anos nos dois primeiros meses de 2000 (...). A pesquisa revelou que a utilização da internet como fonte de notícias aumentou nos Estados Unidos em 127% entre 1997 e 2000. No mesmo período, o consumo de jornais despencou quase 12% e os telejornais nacionais e mundiais perderam 14% de sua audiência" (NOBLAT, 2003, p. 14).

"(...) entre março de 2001 e março de 2002, os 15 maiores jornais brasileiros, responsáveis por 74% do volume total de exemplares vendidos no país, diminuíram sua circulação em 12%" (NOBLAT, 2003, p. 14).

"A direção do The New York Times descobriu em 2001 que seus leitores mais fiéis só liam 10% do jornal" (NOBLAT, 2003, p. 15).

“Na França, (...) a Galáxia de Gutenberg [grifo do autor] perdeu, em quarenta anos, um milhão de leitores diários, e o que é pior: neste período, a população francesa cresceu de 39 para 52 milhões (...); Paris enterrou, desde então, 24 diários de informação geral” (BATALHA Apud SMITH Apud MARSHALL, 2003, p. 46).

O público adolescente, em geral, não se interessa pelos jornais diários, que editam pouco ou nenhum conteúdo destinado a esta promissora fatia de mercado. Segundo Ricardo Noblat (NOBLAT, 2003), isto pode influenciar decisivamente na vitalidade dos jornais impressos, pois se estes não atraírem os jovens, futuramente não terão mais leitores.

Com toda esta crise vivenciada pelos diários, os anunciantes estão migrando suas verbas publicitárias para as outras mídias, encontrando na internet um veículo promissor que agrada principalmente os jovens, consumidores em potencial para diversos produtos e serviços:

“Até 2010, os jornais deverão perder para a web de 10 a 30% de sua receita com publicidade, segundo executivos da área ouvidos em 2001 pela Innovation Internacional Media Consulting Group [grifo do autor]. Somente nos Estados Unidos, a publicidade online saltou de 200 milhões de dólares em 1996 para 4 bilhões a 12 bilhões de dólares em 2000, a depender da fonte que se consulte” (NOBLAT, 2003, p. 14-15).

Os jornais precisam agora enfrentar duas mudanças em especial: tornarem-se empresas eficientes que aceitam a informação como produto e a publicidade como principal fonte de renda, e adquirirem certos aspectos do jornalismo de revista, que aprofunda, interpreta, analisa, explica e complementa os fatos que já ocorreram e foram divulgados, utilizando uma série de recursos gráficos que facilitam a compreensão.

O fato é que leitor dá mais importância à credibilidade do veículo do que aos “furos” jornalísticos. A informação é valorizada não necessariamente quando é inédita, mas sim completa, precisa e, acima de tudo, confiável. A velocidade com que as informações são transmitidas – em tempo real, faz com que a notícia inédita já não o seja rapidamente, o que vale também para a internet:

“Os leitores raramente percebem quem foi o primeiro a dar a notícia - e, na verdade, nem se importam com isso. Uma notícia superficial, incompleta ou descontextualizada causa péssima impressão. É sempre melhor colocá-la no ar com qualidade, ainda que dez minutos depois dos concorrentes” (FERRARI, 2003, p. 49).

Portanto, o jornal deve investir na oferta de notícias e reportagens próprias, evitando utilizar assuntos já cobertos pelos demais veículos, e neste caso, selecionar os fatos relevantes, dando-lhes uma explicação competente e inserindo uma visão de suas conseqüências. As transformações do jornalismo impresso devem ser vistas como oportunidades, que possibilitam inovações e maior liberdade de expressão.

"Os sobreviventes serão as organizações que se adaptarem às realidades tecnológicas e econômicas em transformação. Os perdedores serão os dinossauros empresariais, grandes e pequenos, que não podem ou não querem mudar - todos candidatos a fusões, aquisições ou simplesmente à falência" (DIZARD JR, 2000, p. 22).

  


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